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Psicólogos- entre o id e o imposto- tópicas da Reforma Tributária

 Você estudou anos, mergulhou em teorias, técnicas e práticas clínicas para ajudar pessoas a reorganizar pensamentos e emoções. Não foi preparado para entender de Direito Tributário.
Mas, de repente, surge um “paciente” inesperado no seu consultório: a reforma tributária para psicólogos.Nem Freud, com toda sua genialidade, conseguiria transformar esse assunto em algo prazeroso de lidar.E ainda assim, ele está aí, batendo à porta da sua clínica. Gostando ou não, vai impactar seu trabalho e sua renda.E, assim como na terapia, ignorar o problema não faz com que ele desapareça, só aumenta o teu sofrimento.
Temos a versão em vídeo desse artigo: 

   As demandas reais do psicólogo hoje

O dia a dia de um psicólogo é, em grande parte, tomado por escuta, análise e acolhimento. São horas intensas de dedicação ao outro — seja no consultório físico ou em atendimentos online.
Quando a última sessão termina, muitas vezes a energia já não é suficiente para dar conta do que também sustenta a prática: organização, contratos e finanças.Além disso, a profissão exige formação contínua.
Supervisão, grupos de estudo e especializações não são opcionais: fazem parte do compromisso ético com a ciência e com os pacientes. Esse investimento, embora fundamental, pesa no orçamento.
Há também a concorrência crescente — de colegas qualificados, mas também de práticas sem validação científica, que disputam o espaço do cuidado psicológico. Isso gera um cenário desafiador, em que é preciso não apenas atender, mas também se posicionar.
Diante desse contexto, qualquer mudança tributária não aparece em terreno neutro. Ela chega em uma rotina já exigente e sobrecarregada.

Onde a reforma tributária entra nessa história

O impacto, portanto, não se resume a cálculos de impostos. Ele toca diretamente no modo como o psicólogo organiza sua carreira — seja atendendo como autônomo, seja em uma clínica com CNPJ.
Até aqui, muitos profissionais talvez tenham confiado ao contador a tarefa de “dar conta disso”. Mas quando a guia chegar — e ela vai chegar —, é o psicólogo quem vai arcar com o valor.E, assim como na clínica, ignorar o problema não faz com que ele desapareça.A diferença está em se antecipar: compreender o cenário, mapear possibilidades e se organizar para reduzir o impacto.

Terapia, cognição e… impostos? O paralelo que faz sentido

O objetivo da reforma tributária é simplificar o sistema brasileiro, substituindo diversos tributos federais, estaduais e municipais por dois principais: CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
Na prática, significa que serviços prestados por psicólogos — seja como autônomos ou via CNPJ — estarão sujeitos a essas novas regras. O discurso oficial é de simplificação, mas o impacto varia conforme o formato de trabalho: quem atua sozinho, em clínica pequena ou em sociedade pode sentir efeitos bem diferentes.
Aqui cabe uma analogia simples: assim como em terapia, o primeiro passo é tomar consciência. Muitos profissionais carregam pensamentos automáticos como:
  • “Meu contador resolve isso.”
  • “Pessoa física sempre é mais barato.”
  • “Não preciso me preocupar com isso agora”
Essas crenças, se não questionadas, podem levar a escolhas pouco vantajosas.
É como na clínica: adiar a reflexão só prolonga o problema.
Outro ponto fundamental é a aliança terapêutica. Na psicoterapia, a confiança no processo é decisiva; na contabilidade, contar com orientação especializada faz toda a diferença para interpretar as novas regras e tomar decisões assertivas.
Portanto, mais do que decorar siglas ou percentuais, o que importa é entender o processo de mudança: mapear como você atua hoje, simular cenários e escolher o regime mais adequado.

Cenários práticos: pessoa física ou jurídica?

Na clínica, você sabe que dois pacientes podem chegar com sintomas semelhantes, mas a conduta será completamente diferente dependendo da história, do contexto e das condições de cada um.
Com a reforma tributária acontece algo parecido: os impactos não serão iguais para todos os psicólogos.
Psicólogo autônomo (Pessoa Física)
Esse é o caso de quem atende sozinho, muitas vezes em consultório alugado ou até de forma online, sem grandes despesas registradas formalmente. Até agora, a maior preocupação era o Imposto de Renda.
Com a reforma, mesmo sem CNPJ, o autônomo passa a recolher também IBS e CBS. Como geralmente não há muitas despesas documentadas em nota fiscal, dificilmente terá créditos para compensar. O resultado tende a ser uma tributação maior do que a atual.
Isso significa que, além do IR, você também terá de recolher IBS e CBS, independentemente do seu faturamento.
Em outras palavras: não importa se você atende poucos pacientes em consultório próprio ou se tem uma grande demanda, os novos impostos vão incidir de qualquer forma.
As projeções indicam que a soma de IBS e CBS ficará em torno de 28%. Para serviços de saúde haverá uma redução de 60%, resultando em uma alíquota de aproximadamente 11,20% — ainda considerada elevada.
Nesse regime não cumulativo, será fundamental contar com créditos tributários para reduzir a carga final.

O que avaliar desde já

  • Deduções possíveis: se você mantém despesas significativas com consultório, como aluguel, energia, secretária e softwares de gestão, poderá compensar parte disso no IR e algumas dessas despesas também gerarão créditos de IBS e CBS.
  • Organização: é essencial fazer um levantamento detalhado das suas despesas junto com seu contador.
  • Fornecedores: revise seus contratos e notas fiscais, pois a escolha dos fornecedores será determinante para garantir créditos tributários.
Psicólogos que tributam como pessoa física precisam de atenção especial: simulações podem mostrar que abrir um CNPJ e migrar para outro regime pode ser mais vantajoso do que permanecer como pessoa física.Psicólogo no Simples Nacional
Para quem já tem CNPJ, o Simples Nacional continua sendo atrativo em muitos casos — principalmente quando a maior parte do público atendido é pessoa física.
As alíquotas reduzidas ajudam a manter a carga tributária em um nível suportável.
No entanto, é fundamental realizar um monitoramento mensal para garantir que a tributação permaneça reduzida, com atenção especial ao controle do fator R, que influencia diretamente a alíquota aplicada.
Por outro lado, quando o psicólogo atende empresas, convênios ou clínicas, pode haver exigência de que ele migre para o regime regular, para que o contratante possa aproveitar créditos de IBS e CBS. Nesse caso, a carga tributária pode subir, exigindo reorganização.
Psicólogo no Lucro Presumido ou Lucro Real
Em clínicas maiores ou grupos de psicólogos que atuam em sociedade, a lógica passa a ser a do sistema não cumulativo: o que se paga em impostos pode ser compensado com créditos de fornecedores e despesas formalizadas.
Aqui, a palavra-chave é organização. Se as despesas não estiverem devidamente documentadas no CNPJ da clínica o crédito se perde — e isso pode fazer diferença no resultado final.
Em todos esses cenários, uma conclusão é clara: não existe resposta única. Assim como cada processo terapêutico exige avaliação individual, cada psicólogo precisará fazer sua análise tributária.
A simulação de cenários é a ferramenta essencial: comparar valores como pessoa física, no Simples Nacional ou em outros regimes pode evitar surpresas desagradáveis e ajudar a escolher o caminho mais adequado.

O que fazer agora: checklist prático para psicólogos

Na psicologia, a conduta após a anamnese é decisiva para o sucesso do processo terapêutico.
No campo tributário, acontece algo semelhante: quem agir agora terá muito mais controle sobre sua carga fiscal quando a reforma estiver totalmente em vigor em 2027.
Aqui está o checklist prático que todo psicólogo deveria seguir:

1 – Revisar sua forma de tributação

  • Você ainda atua como pessoa física?
  • Vale a pena migrar para pessoa jurídica?
  • Se já tem CNPJ, seu regime atual (Simples ou Presumido) continuará sendo o mais adequado após a reforma?

2 – Simular cenários com seu contador

  • Compare a tributação em diferentes regimes: pessoa física x Simples Nacional x Lucro Presumido.
  • Considere o perfil do seu público: você atende mais pacientes pessoas físicas ou jurídicas (convênios, empresas, clínicas)? Isso pode mudar completamente o enquadramento mais vantajoso.

3 – Organizar despesas e fornecedores

  • Garanta que todas as despesas do consultório ou clínica tenham nota fiscal emitida em nome do CNPJ ou CPF (se continuar como pessoa física)
  • Revise contratos com fornecedores e serviços para não perder créditos de IBS e CBS.

4 – Preparar o sistema de emissão de notas, se for PJ

  • Confirme se o software ou sistema de gestão já está sendo atualizado para destacar corretamente IBS e CBS.
  • A partir de janeiro de 2026, isso será obrigatório.

5 – Planejar financeiramente

  • A reforma pode aumentar sua carga tributária.
  • Crie reservas financeiras e simulações para evitar surpresas.
  • Entenda também o que é o split payment (assista vídeo), mecanismo previsto na reforma que muda a forma de recolhimento dos impostos.

 cuidar da saúde financeira também faz parte da clínica

Na prática clínica, você já viu como pacientes que se antecipam aos sinais conseguem resultados mais consistentes.
No campo tributário, a lógica é parecida: quem se organiza agora tende a sofrer menos impactos depois.
A reforma tributária para psicólogos não precisa ser encarada como um inimigo.Ela é mais uma mudança — e mudança, você sabe melhor do que ninguém, exige consciência, estratégia e acompanhamento.
O que está em jogo não é apenas a forma como os impostos serão cobrados, mas a forma como cada psicólogo vai se posicionar diante dessa nova realidade.
Assim como seus pacientes confiam em você para reorganizar pensamentos e emoções, você também pode contar com apoio especializado para estruturar a parte tributária.
Quer entender como a reforma tributária para psicólogos vai impactar seu consultório e quais caminhos seguir para não pagar além do necessário?
Agende uma conversa com o Escritório Dreher e cuide da saúde financeira da sua clínica.
Quer se aprofundar no tema?
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