Blog da Dreher

Reforma Tributária para Médicos: um guia prático

Reforma tributária para clínicas médicas

Introdução

Todo médico sabe que uma boa anamnese é o ponto de partida para qualquer diagnóstico preciso. Antes de prescrever um tratamento, é preciso entender o histórico do paciente, suas queixas, hábitos e sinais clínicos.

Pois bem: agora é a sua vez de estar do outro lado da mesa.

A “anamnese” que você precisa fazer não é clínica, mas tributária. Com a Reforma Tributária, que começa a valer em 2027, a carga tributária dos profissionais da saúde será diretamente impactada.

O que você decidir agora — se continua como pessoa física, se migra para pessoa jurídica e se reorganiza despesas — pode significar uma diferença enorme no quanto você vai pagar em impostos daqui a pouco mais de um ano.

Médicos não têm tempo (nem paciência) para mergulhar em complexidades tributárias!

Por isso, este guia é direto, objetivo e prático.

E nossa missão é simples: mostrar, passo a passo, o que você precisa avaliar desde já para chegar em 2026 preparado e sem surpresas desagradáveis.

Se quiser assistir em vídeo – clique aqui

Primeira pergunta da anamnese: você é Pessoa Física ou tem Pessoa Jurídica?

Na anamnese médica, uma das primeiras perguntas é:

“Você já tem diagnóstico ou está começando do zero?”

No campo tributário, a questão é semelhante:

Você tributa hoje como pessoa física ou já tem uma pessoa jurídica (clínica, consultório, sociedade)?

Se você atua como Pessoa Física

     

      • Emite seus recibos pelo Receita Saúde.

      • Continua pagando Imposto de Renda via carnê-leão ou declaração anual.

      • A partir de 2027, além do IR, também será obrigado a recolher IBS e CBS, independentemente do faturamento.

      • Isso significa que, mesmo sem empresa formalizada, sua carga tributária vai aumentar.

      • O único alívio possível será via deduções de despesas, sendo importante avaliar seus fornecedores.

    Se você já possui Pessoa Jurídica

    O impacto será diferente conforme o regime tributário escolhido:

    Simples Nacional

       

        • Pode continuar sendo vantajoso se você atende principalmente pessoas físicas

        • É necessário monitorar o fator R para manter alíquota reduzida.

        • Se você trabalha para empresas, elas podem exigir que sua empresa mude de regime (regime regular) para gerar créditos de IBS e CBS.

      Lucro Presumido

         

          • Regime comum em clínicas de médio porte.

          • Em 2027, começa a tributação pelo regime não cumulativo, com débitos e créditos.

        Lucro Real

           

            • Pouco comum na área médica, mas pode ser vantajoso em estruturas maiores.

            • Exige controle contábil rigoroso para garantir créditos de IBS e CBS.

          Assim como em um exame clínico, essa primeira pergunta já direciona todo o diagnóstico.

          Se você ainda tributa como pessoa física, talvez seja hora de considerar a migração para pessoa jurídica.

          Se já é PJ, precisa avaliar se o regime atual continua sendo o mais vantajoso frente à reforma.


          Se você tributa como Pessoa Física

          Se você ainda está no “modo pessoa física”, precisa saber que a Reforma Tributária vai mudar seu cenário de forma significativa.

           

          Até hoje, sua principal preocupação era o Imposto de Renda, pago mensalmente pelo carnê-leão ou na declaração anual.

          A partir de janeiro de 2027, entram em cena dois novos tributos: IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

          Isso significa que, além do IR, você também terá de recolher IBS e CBS, independentemente do seu faturamento. Em outras palavras: não importa se você atende poucos pacientes em consultório próprio ou se tem uma grande demanda, os novos impostos vão incidir de qualquer forma.

          As projeções indicam que a soma de IBS e CBS ficará em torno de 28%. Para serviços de saúde haverá uma redução de 60%, resultando em uma alíquota de aproximadamente 11,20% — ainda considerada elevada.

          Nesse regime não cumulativo, será fundamental contar com créditos tributários para reduzir a carga final.

          O que avaliar desde já

             

              • Deduções possíveis: se você mantém despesas significativas com consultório, como aluguel, energia, secretária e softwares de gestão, poderá compensar parte disso no IR e algumas dessas despesas também gerarão créditos de IBS e CBS.

              • Organização: é essencial fazer um levantamento detalhado das suas despesas junto com seu contador.

              • Fornecedores: revise seus contratos e notas fiscais, pois a escolha dos fornecedores será determinante para garantir créditos tributários.

            Recurso adicional

            Assista ao vídeo e entenda por que será fundamental avaliar seus fornecedores:

            Vou ser fiscal do meu fornecedor?

            Mas aqui está a questão prática: se a sua renda já é elevada e as deduções não são suficientes, permanecer como pessoa física tende a se tornar cada vez menos vantajoso. É nessa hora que a migração para Pessoa Jurídica pode fazer sentido — e precisa ser analisada junto ao contador.

            Se você tributa como Pessoa Jurídica

            Então, se você já tem uma clínica ou consultório constituído como pessoa jurídica, a Reforma Tributária traz mudanças importantes que exigem preparo.

            O impacto não será igual para todos. Ele vai variar de acordo com o regime tributário em que a sua empresa está enquadrada.

            Simples Nacional

            O Simples Nacional pode continuar sendo uma opção vantajosa para médicos que atendem principalmente pessoas físicas, desde que o faturamento permaneça dentro do limite que assegure uma alíquota razoável.

            No entanto, é fundamental realizar um monitoramento mensal para garantir que a tributação permaneça reduzida, com atenção especial ao controle do fator R, que influencia diretamente a alíquota aplicada.

            Outro ponto de atenção: médicos que atuam no Simples Nacional e prestam serviços para pessoas jurídicas podem enfrentar exigências adicionais. Muitas empresas contratantes poderão solicitar que a clínica ou consultório opte por um regime de tributação regular, a fim de assegurar seus créditos de IBS e CBS.

            Para compreender melhor esse cenário, assista ao vídeo:

            Reforma tributária – a visão que você empresário precisa

            Lucro Presumido

            O Lucro Presumido é hoje o regime mais comum entre consultórios médicos de médio porte.

            A partir de janeiro de 2026, o sistema emissor de notas fiscais de prestação de serviços precisará destacar o IBS e o CBS. Nesse primeiro momento não haverá recolhimento, mas o destaque será obrigatório.

            Já em 2027 terá início a tributação pelo regime não cumulativo, com a aplicação do sistema de débitos e créditos.

            Isso significa que a organização das despesas, que antes podia ser vista como secundária, passará a ser uma questão de sobrevivência tributária.

            Será indispensável revisar toda a cadeia de fornecedores para garantir que as notas fiscais emitidas permitam o aproveitamento de créditos de IBS e CBS.

            Lucro Real

            O Lucro Real é menos comum no setor médico, mas pode ser adequado em estruturas maiores, com custos e despesas dedutíveis significativos.

            No novo modelo, esse regime também será integrado ao sistema de débitos e créditos, exigindo um controle contábil rigoroso para que os créditos sejam devidamente aproveitados.

            Ponto crítico para todos os médicos PJ

            A partir de 2027, será obrigatório garantir que todas as notas fiscais de fornecedores estejam emitidas no nome da empresa e de forma correta.

            Somente assim será possível ter direito ao crédito integral de IBS e CBS, reduzindo o peso da tributação. Por isso, é essencial começar a verificar e ajustar esse processo desde já.

            A grande mudança: o novo sistema não cumulativo (IBS + CBS)

            Até agora, muitos médicos e clínicas praticamente não precisavam se preocupar com o detalhamento das despesas. Bastava pagar os impostos no regime escolhido e seguir em frente.

            Mas a partir de 2027, o jogo muda: entra em vigor o sistema não cumulativo, baseado na lógica de débitos e créditos.

            Como funciona na prática?

               

                • Você paga imposto (débito) sobre os serviços que presta (consultas, procedimentos, cirurgias).

                • Mas pode abater (crédito) o imposto já pago pelos seus fornecedores (aluguel, energia, equipamentos, softwares, insumos médicos etc.), desde que esses gastos estejam documentados em nota fiscal emitida para o CNPJ da clínica.

                • O resultado final é a diferença entre os débitos e créditos.

              Exemplo:

                 

                  • Você emite notas fiscais de R$ 100.000 no mês → gera débito de IBS/CBS.

                  • Tem R$ 20.000 em despesas com fornecedores, todas com nota no CNPJ → gera crédito de IBS/CBS.

                  • Você paga imposto apenas sobre R$ 80.000.

                O que isso significa para você médico?

                   

                    • Organização passa a ser obrigatória. Se antes era possível deixar despesas sem nota, agora cada gasto sem documento fiscal é literalmente dinheiro perdido.

                    • Seu software de emissão de notas precisa estar pronto para destacar IBS e CBS. Se não estiver atualizado até 2026, você pode ter problemas sérios de conformidade.

                    • Seus fornecedores precisam estar regulares. Comprar sem nota, ou em nome pessoal, será jogar fora créditos tributários.

                    • O ideal é que seus fornecedores fossem optantes do regime regular para lhe assegurar crédito integral

                  Em resumo: o novo sistema não é apenas uma mudança técnica, é uma mudança de cultura. Consultórios e clínicas que se organizarem desde já vão pagar menos imposto.

                  Quem deixar para depois, pode ver a carga tributária disparar.

                  O que você deve fazer agora (conduta médica → conduta tributária)

                  Na medicina, a conduta correta após a anamnese pode definir o sucesso do tratamento. No campo tributário, acontece a mesma coisa: quem agir agora terá muito mais controle sobre sua carga fiscal em 2027.

                  Aqui está o checklist prático que todo médico deveria seguir:

                  1 – Revisar sua forma de tributação:

                     

                      • Você ainda está na pessoa física?

                      • Vale a pena migrar para pessoa jurídica?

                      • Se já é PJ, seu regime atual (Simples, Presumido, Real) ainda será o mais vantajoso após a reforma?

                    2 – Simular cenários com seu contador:

                       

                        • Compare a tributação na pessoa física x Simples Nacional x Lucro Presumido.

                        • Considere seu tipo de paciente: atende mais pessoas físicas ou jurídicas? Isso pode alterar a escolha do regime.

                      3 – Organizar despesas e fornecedores:

                         

                          • Certifique-se de que todas as despesas do consultório/clínica têm nota fiscal no CNPJ da empresa.

                          • Revise contratos com fornecedores e serviços para garantir que você terá direito ao crédito de IBS e CBS.

                        4 – Preparar o sistema de emissão de notas:

                           

                            • Confirme se seu software ou sistema de gestão está sendo atualizado para destacar corretamente IBS e CBS.

                            • A partir de janeiro de 2026, isso será obrigatório.

                          5 – Planejar financeiramente:

                             

                              • O impacto da reforma pode aumentar (ou reduzir) sua carga tributária.

                              • Tenha reservas financeiras e simulações claras para não ser pego de surpresa.

                            Entenda o que é o split payment que virá com a reforma

                            Resumo da conduta: assim como pedir exames antes de definir um tratamento, o médico precisa “pedir exames tributários” agora — revisando regimes, despesas e notas.

                            Quanto mais cedo fizer essa anamnese tributária, mais tranquilo estará em 2027.

                            Conclusão – A importância da sua anamnese tributária

                            Na prática médica, você sabe que um diagnóstico precoce pode evitar complicações graves.

                            Então, no mundo tributário, o raciocínio é o mesmo: quem se preparar agora para a Reforma Tributária vai reduzir riscos e custos no futuro.

                            A partir de 2026, não haverá espaço para improviso.

                            Médicos que continuarem atuando sem organização fiscal podem enfrentar aumento significativo da carga tributária.

                            Já aqueles que fizerem a “anamnese tributária” hoje — avaliando se permanecem como pessoa física ou migrar para pessoa jurídica, simulando regimes e estruturando corretamente suas despesas — estarão muito mais protegidos.

                            Assim como você cuida da saúde dos seus pacientes, é hora de cuidar da saúde financeira da sua clínica.

                            Nossa recomendação prática: converse com seu contador, revise seus números e prepare desde já o terreno para 2026.

                            A reforma está chegando, e quem agir antes terá muito mais tranquilidade para continuar focado no que realmente importa: a medicina.

                            Agende uma conversa conosco e faça a sua anamnese tributária.

                            Leia também:

                            Reforma Tributária – Profissionais saúde: se prepare para doer menos

                            Assista também nossos vídeos no Youtube:

                            Impostos a mais para os profissionais da saúde

                            Reforma tributária – vai mudar tudo para você

                            Categorias

                            Categorias

                            Post mais recentes