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Split Payment – cadê o meu dinheiro?

Entenda como irá funcionar o split payment

Você já imaginou vender, receber o pagamento e, ao conferir o extrato, perceber que entrou menos dinheiro do que estava na nota fiscal? Pois essa será a realidade de muitas empresas com a chegada do split payment, uma das mudanças mais impactantes da Reforma Tributária.

Neste artigo, explicamos de forma simples e direta o que é o split payment, como ele funciona na prática e quais os riscos e desafios para o fluxo de caixa das empresas.

Se você é empresário e quer se preparar para não ser surpreendido, este conteúdo é leitura obrigatória.

A Reforma Tributária está trazendo mudanças profundas na forma como as empresas brasileiras vão lidar com seus tributos.

E uma das novidades que mais chama atenção é o split payment, um mecanismo que promete transformar a rotina financeira de milhares de negócios.

Mas atenção: essa mudança não é apenas um detalhe técnico da legislação.

Ela vai mexer diretamente no fluxo de caixa das empresas — e isso significa que o empresário precisa se preparar desde já para não ser pego de surpresa.

Imagine a seguinte situação: você faz uma venda, o cliente paga corretamente, mas quando olha o extrato bancário… o valor que entrou na conta é menor do que esperava. Parece estranho? Pois é exatamente isso que pode acontecer com o split payment.

Para entender ainda melhor esse tema, confira este vídeo e veja o que aconteceu com João, um prestador de serviços:



O que é o split payment?

De forma simples, o split payment é um sistema em que os impostos são recolhidos automaticamente no momento do pagamento da compra.

Funciona assim: quando o consumidor paga por um produto ou serviço, o sistema de pagamento (cartão, Pix, boleto etc.) já identifica quanto daquela transação corresponde a tributos, como IBS e CBS. Essa parte é automaticamente separada e enviada direto para os cofres públicos. O empresário, então, recebe apenas o valor líquido — ou seja, já descontado dos impostos.

No modelo atual, as empresas recebem o valor integral da venda e, posteriormente, realizam o recolhimento dos tributos. Com o split payment, isso muda completamente: o governo “antecipa” a sua parte no ato do pagamento.

Essa diferença pode parecer sutil, mas na prática altera todo o planejamento financeiro e o gerenciamento do caixa das empresas.



Como o split payment funciona na prática?

Para entender melhor o funcionamento do split payment, vamos acompanhar o passo a passo de uma operação:

  1. O cliente realiza o pagamento de um produto ou serviço — pode ser por cartão, Pix, boleto ou outro meio eletrônico.
  2. O sistema de pagamento identifica os tributos que incidem na transação, como o IBS e a CBS.
  3. O valor da venda é automaticamente “dividido” (split):
    1. Uma parte vai direto para o governo (Receita Federal e Comitê Gestor do IBS);
    1. A outra parte é repassada ao empresário.
  4. Tudo isso é feito de forma automatizada e vinculada à nota fiscal eletrônica, que traz os dados da operação.

Em outras palavras: o split payment garante que o imposto seja recolhido no exato momento em que o dinheiro circula, sem depender de prazo futuro para pagamento.

Exemplo Prático

Imagine que a sua empresa faça uma venda de R$ 10.000,00. No modelo tradicional, esse valor cairia integralmente na sua conta, e depois você teria que recolher os tributos devidos.

Com o split payment, a lógica muda:

  • O cliente paga R$ 10.000,00.
  • O sistema separa R$ 1.500,00 referentes a IBS e CBS.
  • Apenas R$ 8.500,00 chegam de fato para a sua empresa.

Note como o dinheiro “some” do caixa antes mesmo de você movimentá-lo. Essa antecipação do recolhimento exige do empresário uma nova forma de pensar e organizar o fluxo de caixa, já que a receita líquida recebida será menor do que o valor faturado.



Tipos de split payment

Com a Reforma Tributária, o split payment poderá ser aplicado de três formas diferentes, de acordo com a forma como o sistema consegue (ou não) interagir com o governo. Entender esses modelos é essencial para que o empresário saiba como cada operação impactará o caixa do seu negócio.

Split Payment Inteligente

Esse é o modelo ideal e mais completo, pensado para funcionar de forma automatizada.

  • O sistema de pagamento consulta o Portal da Reforma Tributária antes de liberar o dinheiro.
  • Verifica exatamente quanto ainda falta pagar de IBS e CBS, levando em conta:
    • tributos já quitados,
    • compensações,
    • saldos credores existentes.
  • Assim, o sistema retém apenas o valor realmente devido e repassa o restante ao empresário.

Impacto: maior precisão no recolhimento e menor risco de retenção excessiva.

Split Payment Manual ou de Contingência

Esse modelo entra em ação quando há falha na comunicação com o portal do governo.

  • Se não for possível consultar o fisco na hora, o sistema retém automaticamente o valor de IBS e CBS que consta na nota fiscal.
  • Posteriormente, o governo recalcula os valores:
    • Se houver imposto pago a maior, o excedente deve ser devolvido em até 3 dias úteis.

Impacto: pode gerar retenções maiores do que o necessário, o que afeta a liquidez da empresa até que o governo faça a devolução.

Split Payment Simplificado

Esse modelo foi criado para operações em que o adquirente não é contribuinte de IBS e CBS.

  • Em vez de calcular o imposto sobre cada nota, aplica-se um percentual fixo predefinido sobre o valor da transação.
  • Os valores recolhidos abatem os débitos do período de apuração.
  • Caso o recolhimento ultrapasse o valor devido, o excedente também deve ser devolvido em até 3 dias úteis.
  • A opção pelo simplificado é irretratável para todo o período de apuração.

Impacto: mais ágil, mas menos preciso. Ainda assim, representa saída de caixa imediata e reduz o valor disponível no curto prazo.

Resumindo os modelos:

  • Inteligente: consulta o Portal e retém apenas o valor necessário.
  • Manual: se não houver consulta, retém o valor total da nota e devolve o excedente depois.
  • Simplificado: aplica percentual fixo em operações específicas, com devolução de eventual sobra.



Impactos no caixa da empresa

Entre todas as novidades da Reforma Tributária, o split payment é uma das que mais afeta o dia a dia financeiro do empresário. Isso porque o dinheiro que “entra” na conta não será mais o valor cheio da venda, mas sim o valor líquido, já descontados os tributos.

Principais impactos:

  1. Redução imediata da liquidez
    1. Antes: o empresário recebia o total da venda e só depois fazia o recolhimento dos impostos.
    1. Agora: o valor líquido já cai na conta, diminuindo a disponibilidade para honrar compromissos de curto prazo.
  2. Necessidade de ajustar o fluxo de caixa
    1. Se a empresa não revisar prazos de pagamento e recebimento, pode enfrentar falta de capital de giro.
    1. Será preciso planejar com antecedência cada entrada e saída para evitar aperto financeiro.
  3. Revisão de margens e preços
    1. Como os tributos impactam diretamente o recebimento, muitos empresários terão que reavaliar margens de lucro e até estratégias de precificação.
  4. Possíveis distorções temporárias
    1. No modelo manual ou simplificado, pode haver retenção maior que o necessário. Apesar da devolução em até 3 dias úteis, isso significa “dinheiro preso” que poderia estar circulando no negócio.

Em resumo: o split payment traz mais segurança para o fisco, mas exige que o empresário fortaleça sua gestão financeira para não ser surpreendido com um caixa mais enxuto.



Conclusão

O split payment não é apenas uma mudança técnica da Reforma Tributária — ele vai transformar a maneira como o dinheiro circula dentro das empresas. Por isso, quem se preparar agora terá muito mais tranquilidade quando o sistema começar a valer.

No Escritório Dreher, acreditamos que informação é a melhor forma de se antecipar às mudanças.

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