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O barato sai caro – a nova armadilha da Reforma Tributária

Você encontrou um fornecedor mais barato, negociou bem e conseguiu um bom desconto.
Na sua cabeça, fez um excelente negócio.

Mas e se eu te disser que, com a reforma tributária, esse “bom negócio” pode estar destruindo sua margem… sem você perceber?

A partir da chegada do IBS e da CBS, o crédito tributário passa a depender não apenas da sua empresa, mas também do comportamento do seu fornecedor. Ou seja, escolher o fornecedor mais barato pode gerar prejuízo na reforma tributária, mesmo quando tudo parece correto.

E é exatamente esse tipo de erro silencioso que vai pegar muitos empresários de surpresa.


O erro que parece economia

Vamos direto ao ponto, com um exemplo simples.

Você fecha um contrato de R$ 10 milhões.
Consegue negociar um desconto de 10%.

👉 Economia aparente: R$ 1 milhão.

Até aqui, tudo certo.

Agora entra a reforma tributária.

Se esse fornecedor não recolher corretamente o IBS e a CBS, sua empresa pode perder até cerca de 27% de crédito tributário.

👉 Possível perda: R$ 2,7 milhões.

Portanto, aquilo que parecia uma grande economia pode se transformar rapidamente em um prejuízo relevante.

E o pior: esse prejuízo não aparece na hora da compra. Ele aparece depois, na apuração dos tributos.


O que mudou com a reforma tributária

A reforma substitui tributos conhecidos, como ICMS, ISS, PIS e COFINS, por dois novos:

  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços)
  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)

Esses tributos seguem o modelo não cumulativo. Assim, sua empresa:

  • paga imposto sobre as vendas
  • e desconta créditos das compras

Contudo, surgem duas regras fundamentais.


Regime do fornecedor

Primeiramente, o crédito depende do enquadramento do fornecedor:

  • Regime regular → crédito integral
  • Simples Nacional → crédito reduzido


Pagamento do imposto

Além disso, o crédito só será liberado se o imposto for efetivamente pago.

👉 Aqui está a grande mudança:

Não basta mais ter a nota fiscal correta.


Por que o barato pode sair muito caro

Agora vamos conectar tudo.

Se o fornecedor:

  • emite a nota
  • entrega o produto
  • mas não paga o imposto

– você não recebe o crédito.

Dessa forma, o custo real da operação aumenta — mesmo sem erro da sua empresa.

Além disso, existe um problema ainda mais sério.

Alguns fornecedores conseguem oferecer preços mais baixos justamente porque não pagam tributos corretamente.

Ou seja:

– o preço baixo pode esconder um problema fiscal

– e esse problema passa a ser seu também


Você virou fiscal do fornecedor?

Essa é a sensação de muitos empresários:

“Agora eu tenho que fiscalizar todo mundo?”

A resposta é direta:

– Você não virou fiscal da Receita Federal
– Mas passou a assumir o risco financeiro

Antes, bastava analisar:

  • preço
  • prazo
  • qualidade

Agora, é indispensável incluir:

  • regularidade fiscal
  • histórico de pagamento
  • confiabilidade do fornecedor

Além disso, confiar apenas em certidões negativas não é suficiente. Elas mostram apenas um retrato momentâneo.

Portanto, o acompanhamento precisa ser contínuo.



Como se proteger na prática

Felizmente, a reforma também trouxe soluções.


Split Payment

O split payment funciona de forma automática.

No momento do pagamento:

  • o imposto é separado
  • vai direto para o governo
  • o fornecedor recebe apenas o valor líquido

Assim, o crédito fica garantido.


Pagamento pelo adquirente

Quando o split payment não for possível, existe outra alternativa.

Nesse modelo, o próprio comprador recolhe o imposto.

Funciona assim:

  • você emite a guia vinculada à nota fiscal
  • paga o IBS e a CBS
  • e repassa ao fornecedor apenas o valor líquido

Dessa maneira, você deixa de depender do fornecedor.


Vantagens práticas

Com esses mecanismos, sua empresa ganha:

  • mais segurança
  • previsibilidade no caixa
  • controle sobre os créditos
  • redução de risco fiscal


    Conclusão

    A reforma tributária não mudou apenas os impostos.

    Ela mudou a lógica do jogo.

    Agora, o problema não está apenas em calcular errado.
    Está em decidir errado.

    Escolher o fornecedor mais barato, sem avaliar o risco, pode comprometer diretamente a sua margem.

    Portanto, daqui para frente, o empresário precisa ir além do preço.

    Precisa entender:

    • quem está do outro lado
    • como esse fornecedor se comporta
    • e quem está assumindo o risco tributário

    Porque, no novo cenário:

    📍 o mais barato pode ser o mais caro.

    “Quer se aprofundar no tema? Assista aos vídeos no nosso canal do YouTube e leia outros artigos relacionados do nosso blog:

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